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Como não amar a Ucrânia?

August 13, 2017

 

 

Apesar de ser descendente de Ucranianos, nunca na minha vida havia pensado que um dia eu visitaria a Ucrânia. Sempre tive muito interesse pela cultura, afinal alguns familiares se matem próximos das tradições de lá, festejando o natal em Janeiro, frequentando missas ortodoxas, praticando a culinária… mas visitar o país me parecia uma coisa muito distante da minha realidade.

 

Faz pouco mais de um ano que coloquei na minha cabeça a ideia de conhecer esse país misterioso. Um pouco por culpa de um projeto de documentário independente que estou realizando, mas principalmente porque me livrei de alguns preconceitos e percebi que o país não é nada daquilo que pensava. Sempre tive a ideia de que a Ucrânia era perigosa, muito subdesenvolvida… ainda mais com a atual guerra. A nossa mente pode ser bem criativa e imaginativa.

 

A verdade é que a Ucrânia é uma país de inúmeras maravilhas. Há regiões que realmente não são tão seguras, mas a guerra está restrita a Crimeia e algumas cidades que fazem fronteira com a Rússia. O país é enorme. 

 

No meu roteiro coloquei Kiev, a capital; Chernobyl; Odessa e Lviv. Mas já me arrependo de ter excluido alguns destinos. Me apaixonei assim que sobrevoei Kiev. Era uma noite fria, o céu já estava escuro e a cidade toda iluminada. Aquela geografia que eu só estava acostumada a ver pelo google maps foi tomando forma aos poucos enquanto eu identificava alguns famosos pontos da cidade, como o rio Dnipró.

 

 

 

Assim que cheguei ao aeroporto, havia um senhor me esperando com uma plaquinha indicando meu nome: Nathália Lukjanenko. Um nome tipicamente ucraniano. Estendi a mão para cumprimentá-lo e ele logo foi me falando inúmeras coisas em ucraniano com bastante animação. Foi difícil interrompe-lo para avisar que eu não falava aquela língua, o que o deixou bastante surpreso! Durante o percurso do aeroporto até meu Hostel, fui identificando várias similaridades com outras cidades grandes que eu já havia visitado, mas ao mesmo tempo muitas particularidades. Minha primeira grande alegria foi me deparar com um outdoor da Leroy Merlin, pois era o único que eu conseguia entender do que se tratava.

 

Na última esquina antes de virar para meu destino final, na rua Andriivs’kyi, me deparei com uma Igreja no topo de uma colina, num tom de verde curioso e toda iluminada. A neblina fazia com que a luz formasse uma espécie de áurea ao seu redor. Não sou religiosa, mas essa foi uma das imagens mais marcantes e emocionantes da viagem. Foi nesse momento que caiu a ficha e eu percebi que eu realmente estava ali. Precisei até falar alto comigo mesma: “Eu estou na Ucrânia!”.

 

Me apaixonei por Kiev de uma maneira que não consigo nem explicar. Saía pelas ruas sem medo e sem rumo tentando explorar e aproveitar ao máximo! Há muitas Igrejas ortodoxas por lá. E TODAS merecem a sua visita. Se você acha que já viu muita Igreja bonita pelo mundo, pense de novo! Tudo muito diferente de tudo que eu já havia visto. Algumas são património cultural da UNESCO, a Catedral Sta. Sofia é uma delas. Por fora você não dá nada, mas ao entrar… o queixo até cai! Infelizmente não era permitido tirar fotos no interior.

 

 

 

Em momento algum me senti insegura naquela cidade. Muito pelo contrário. Sentia que as pessoas me recepcionaram muito bem e estava extremamente felizes por me ter na cidade delas. A única “regra” que você precisa seguir é não falar a favor dos Russos ou a União Soviética. Se quiser saber mais, procure sobre Holodomor e a Revolução de 2014.

 

Kiev tem muita história e muitas coisas para ver e visitar. Recomendo no mínimo 3 dias por lá.

 

Além de andar e se perder por suas ruas, vale a pena entrar em cada Igreja que cruzar seu caminho. Se conseguir fazer um tour guiado a experiência se torna ainda mais valiosa, afinal, a Ucrânia tem muita história pra contar. Já na hora de comer, uma experiência divertida e deliciosa é visitar o restaurante Katyusha, com ambientação da União Soviética e comidas típicas. 

 

 

 

Hospedada em Kiev, resolvi fazer um bate-volta para Chernobyl, que fica aproximadamente duas horas de distância. Para fazer esse tour é preciso ir com uma agência credenciada. Já aviso que não é nada barato, mas vale muito a pena! Recomendo a “Solo East Travel" com a guia Nadia.

 

 

 

Diferente do que muitos pensam, não há perigo em visitar a área reclusa. Desde que se cumpra com todas as normas de segurança. Não se pode sentar no chão, comer nada ao ar livre, tocar na vegetação… Ao fim do passeio todos passam por um detector de radiação e se algum item seu estiver com os níveis acima do normal, eles confiscam para que seja neutralizado e depois devolvido. Há uma história de que uma garota sentou no chão para tirar uma foto e no final precisou ir embora sem as calças.

 

A radiação total na duração do passeio é menor do que em um avião em um vôo de duas horas. Claro que existem áreas mais contaminadas que outras, mas é justamente por isso que é preciso fazer o passeio com um guia credenciado. 

 

Lá você vai ver os vestígios do que um dia já foi uma cidade, com escola, casas, hotel (tudo nos moldes soviéticos); a base de controle de mísseis, e também vai chegar bem próximo ao reator (que hoje está bem protegido em um sarcófago).

 

O mais interessante desse passeio, é que você pode ver exatamente como eram as coisas na época da união soviética, já que foram abandonadas do jeito que estavam. É um passeio triste, porém de muito aprendizado. 

 

 

 

 

Depois de Kiev, parti de avião para Odessa, a cidade que menos gostei. Acho até injusto dizer que não gostei, afinal as condições climáticas não estavam ajudando. Odessa é uma cidade de praia, porém na época que visitei apenas nevou e choveu. Portanto consegui visitar apenas a parte central e histórica. Outra grande decepção foi ver que a famosa escadaria de Odessa estava em reforma e eu não poderia visitá-la. De qualquer forma, se for para Odessa, vá em uma época de calor! Ah, uma curiosidade: lá se fala Russo e não Ucraniano. Foi lá que eu comi o melhor bolo da minha vida.

 

 

 

Confesso que foi onde me senti menos segura. A cidade me parecia nada acolhedora e um pouco suja e desorganizada. 

 

Na continuação da viagem fui para Lviv, uma cidadezinha bem a Oeste do país, quase na fronteira com a Polônia. Foi amor a primeira vista. Fiquei uma semana por ali e ficaria mais. A cidade é colorida, animada, jovem… E o centro histórico também é património histórico da UNESCO. Lviv é uma mistura de Campos de Jordão com Parati (se é que isso é possível). Recomendo visitar a fabrica de chocolates (Lviv handmade chocolate factory), a fabrica de café (que fica na mesma rua) e as feiras abertas que acontecem próximo a ópera. Lá você vai encontrar muitos ítens típicos e artesanais, além de lindas (e caríssimas) batas tradicionais. O bordado é muito tradicional na Ucrânia, porém cada região do país borda de um jeito específico. 

 

 

 

 

 

 

Não deixe de visitar o restaurante Kriyvka! É um restaurante temático que simula um Bunker. Você precisa entrar no clima da brincadeira. Logo na entrada um "soldado" irá te receber. Você precisa bater na porta e dizer "Slava Ukraina" para poder entrar (Glória a Ucrânia). Ao abrir a porta ele irá te perguntar se você é Russo(a) ou comunista. Após negar ambas ele vai te permitir a entrada. Lá dentro, músicos tocam ao vivo e passam o chapéu.

 

 

 

 

A Ucrânia foi uma experiência mágica para mim. Apesar de ter ficado pouco mais que duas semanas no país, sai com um gostinho de quero mais. Foi como um lar longe de casa. Como se eu tivesse voltando para um lugar que eu nunca fui. Me identifiquei no primeiro segundo e não consigo mais tirar de mim.

 

 

 

 

 

 

 

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