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Foi a mais linda história de amor #convidadanomapa

December 10, 2017

 


Ah, o Taj Mahal.


Os planos de ir à Índia não foram feitos de última hora. Por meses eu soube que iria, e conheceria o grandioso Taj. Mas nem por isso o lugar me surpreendeu menos; não há preparação emocional possível praquele lugar.

No bom e no mau sentido.

A começar pelo fato de que nos deixamos levar por essa coisa do Taj ser um grande monumento ao amor. Gente, aquilo é um mausoléu. Uma tumba. Uma gigantesca tumba pomposa, repleta de ostentação.

Xá Jahan (sim, Ben Jor canta certo!) mandou construir o Taj para sua esposa preferida, Aryumand Banu Begam, a quem ele chamava de Mumtaz Mahal (que significa "a escolhida do palácio" em persa), e que morreu ao dar à luz a um dos filhos do casal. Dizem que o amor dos dois era verdadeiro e o casamento era feliz. Mas temos vários indícios históricos de que o Xá não parecia ser uma pessoa sempre muito legal, não. Inclusive, dizem que Xá Jahan mandou cortar as mãos de todos que estiveram envolvidos na construção do Taj, para que nunca mais pudessem fazer qualquer coisa levemente parecida com sua obra de arte. Não é difícil perceber quanto daquele gigante mausoléu representa seu gigante ego.

Seja como for, o Taj continua sendo magnífico e extremamente imponente. Todo seu complexo é simétrico – dos jardins às construções, portas, pátios, tumbas secundárias, tudo. Essa beleza geométrica é inegável, especialmente quando se vê de perto o maravilhoso mármore branco trazido de lugares distantes especialmente para isso. Pedras semipreciosas estão encrustadas pelo mausoléu. Inscrições do Corão foram usadas em todo o complexo, como elementos decorativos.

Não há palavras para descrever o local, muito menos a sensação de estar lá. O Taj muda de clima ao longo do dia – o sol desenha suas paredes em todos os momentos, tornando-o um monumento diferente a cada hora. As cores da manhã criam uma atmosfera bastante distinta das cores do anoitecer.

Por isso, é importante planejar sua ida ao Taj.

Eu sou fotógrafa e queria ver todas essas luzes diferentes. O plano inicial era passar um dia inteiro no complexo, mas as pesquisas nos fizeram mudar de ideia. Descobrimos que lá dentro não havia nada além do próprio monumento. Com isso quero dizer que não há lojinhas nem lanchonetes ou restaurantes, nem mesmo bancos para você se sentar. E na grama, claro, isso não é permitido. Ou seja, seria bem chato ficar lá o dia todo, mesmo. Nesse caso, fomos ao Taj duas vezes – ao anoitecer e na manhã do dia seguinte.

Vale a pena ver duas vezes? Só se você tiver tempo livre ou for fanático pela luz como eu. Ou for o meu amigo, com quem viajei, e que não tinha opção se não me acompanhar. Mas ter vivido essas duas experiências nos deu mais base pras dicas.

A visita ao Taj é relativamente rápida, mesmo que você queira ler absolutamente todos os informativos ou contratar um guia. Tudo que tem pra fazer lá dentro é contemplar o lugar – e acho que mesmo os de alma mais poética não levariam muito mais do que 1h30 lá dentro. Dá vontade de ficar brisando em cada detalhe das construções sim, mas o lugar é tão cheio mas tão cheio que eventualmente você vai se irritar e apenas sair dali.
Isso nos leva ao próximo ponto importante: o horário da visita.
No primeiro dia, chegamos cerca de 2h antes do complexo fechar. O céu ainda estava claro. A fila era imensa, mas existe uma fila separada para turistas e essa, ainda bem, estava vazia. Pra muitas coisas na Índia há uma fila separada pra turistas, é meio bizarro.

Compramos os ingressos, passamos pela revista (sugiro nem levar bolsa pra ganhar tempo, porque eles realmente abrem e olham tudo) e vimos aquele mar de gente. Era tanta gente que não sei nem dizer. O Taj, claro, estava lá imponente, parcialmente encoberto pelas nuvens de poluição mas ainda assim conversando com a lua que começava a surgir no céu. Andamos pelo complexo lotado, mas fotografar era difícil. Eu estou com um sorriso estranho em todas as fotos dessa noite, porque a multidão me incomodava.

Mas aí veio a pior parte: anoiteceu. O Taj fechou e todos começaram a ir embora. E não havia nenhuma luz sequer pra guiar os visitantes. Nadinha. Não sei se é sempre assim ou se foi azar nosso, mas tentem imaginar uma multidão se empurrando pra passar pelas portas até a saída. No escuro. Acendemos a lanterna dos celulares, e sem isso eu provavelmente teria caído e sido pisoteada até a morte (exageraaaaaada!). Conclusão: foi bom ir à noite, mas as preocupações por conta da multidão eram tantas que acabei não curtindo o passeio tanto quanto gostaria.
Saímos de lá, jantamos e voltamos pro hotel, pra dormir bem cedo. No dia seguinte eu queria estar no Taj assim que sol nascesse, assim que o portão se abrisse.

E essa foi a melhor ideia possível.
Quando acordamos, o sol ainda nem tinha se mostrado. O hotel sequer tinha começado a servir o café da manhã. Engolimos qualquer bolachinha que encontramos na mochila e fomos caminhando até o mausoléu. Detesto acordar muito cedo, mas amo a luz e o cheirinho da manhã, então rapidamente fiquei feliz.

Chegando no Taj... cadê a fila? Nin-guém. Cerca de dez outros turistas brancos e loiros compravam seus ingressos, e era isso. Entrei naquele lugar me sentindo a Beyoncé desfilando, dona da p*rra toda. Foi absolutamente maravilhoso. Ninguém atrapalhando as fotos. Nada de empurra-empurra. Só paz. Só a gente e uma luz linda, rosada. O mármore do Taj reluzindo diante dos meus olhos. Agora sim, tudo estava perfeito. Aproveitamos tudo com muito mais calma, curtimos cada detalhe. Só não conseguimos entrar em um pequeno museu (parecia ser só uma salinha) que tem dentro do complexo, porque ele só abria às 9 ou 10 da manhã.

Saímos de lá com o coração cheio de amor.
É um mausoléu sim, é ostentação sim, é representação de ego, sim.
Mas no fim é também a mais linda história de amor, sim.


Observações práticas: ficamos hospedados num hotelzinho baratinho e lindinho chamado Atulyaa Taj, que fica a uns 500m do portão Leste do Taj Mahal. Então, minhas experiências com as filas são sempre referentes a este portão especificamente (e não ao portão principal, que dizem ser o mais lotado). É possível encontrar acomodações mais simples e mais baratas um pouco mais afastadas do monumento, mas tudo na Índia é superbarato e, a menos que você esteja com um budget muito restrito, vale a pena ficar perto do Taj. Você vai ganhar tempo se quiser visitá-lo pela manhã, como nós fizemos. Além disso, a única outra atração turística da cidade é o Forte de Agra, que também é ali perto. A viagem foi feita em 2014.


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Paula Castro é fotógrafa, mora em São Paulo mas tem o coração sempre voando pelo mundo. Conheça mais do seu trabalho em paulacastrofotografia.com.br


 

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