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|Rússia além do turismo|

October 17, 2017

 

 

A Rússia pode ser um pais um tanto quando intimidador ao pensarmos em seu "Conjunto da Obra". Seu tamanho estarrecedor e todo contexto histórico no qual esteve envolvido ao longo das décadas, contribuem com seu estigma de pais amedrontador. 

 

Eu, por exemplo, quando decidi que faria uma viagem de duas semanas por lá, ouvi coisas desde "não procure coisas suspeitas na internet" até "vão te manter prisioneira por causa do sobrenome".

 

Me surpreendi de diversas maneiras. Ao mesmo tempo que esses conselhos me pareciam absurdos, eles faziam até que bastante sentido enquanto eu estava lá. Acontece que a Rússia é um pais muito grande (ah, vá!) e a diferença de uma cidade para a outra é brutal! Só tive a chance de conhecer Moscou e São Petersburgo, as cidades mais famosas e importantes do pais. A distância entre elas é de 715 km, 4 horas de trem. E mesmo assim, nesse "pequeno" pedaço de pais já pude sentir grande diferença. Isso se dá ao fato da história delas serem muito diferentes ao longo dos séculos.

 

Sem ir muito longe para fazermos comparações, enquanto Moscou era a "vitrine" da União Soviética e o quartel-general do exercito vermelho; São Petersburgo (na época, Leningrado) foi cercada pelos invasores Alemães. Por pouco mais de dois anos, a cidade sofreu um bloqueio e muitos acabaram morrendo de frio, fome e doenças. Os oficiais e autoridades Russas fugiram deixando seu povo por conta própria.

 

Esse fato histórico explica muito das cidades como são hoje. Moscou, apesar de ser uma cidade cosmopolita e de certa forma moderna, parece estar estacionada no tempo. Com o símbolo comunista espalhado para todo lado, exibem e se orgulham de sua história de forma alienada. Tive o azar (ou sorte. Vai saber!) de pousar no pais poucos dias antes do Dia da vitória da União Soviética (9 de maio), que em outros países também é comemorado, porém com outro ponto de vista: Dia da libertação do Nacional-Socialismo e do fim da Segunda Guerra.

 

Eu não sabia muito bem o que estava acontecendo. Imaginei que seria um feriado importante quando percebi que um cerco estava sendo formado em volta da praça vermelha. Vi alguns banners com a data 9 de maio. Foi então que resolvi pesquisar no Google. Estava com um simcard local que havia comprado já no aeroporto (não é tão simples comprar um chip por lá como é no resto da Europa. Inúmeras configurações do seu celular são alteradas, você precisa assinar uns 3 termos e o processo todo leva cerca de uns 15 minutos). Foi ai que me lembrei dos conselhos estranhos que tinha recebido antes de embarcar nessa aventura. Afinal, ao jogar 9 de maio na pesquisa, me apareceu uma tela no navegador: Essa página contem conteúdos suspeitos, tem certeza que deseja continuar a busca?

 

Confesso que a partir dai comecei a anotar minha duvidas e curiosidades para pesquisar quando estivesse em solo de outro país. 

 

Enfim... a maioria das atrações estavam fechadas e havia muita movimentação policial pela cidade. Foi ai que, ao conversar com locais, descobri que haveria um evento militar para comemorar o feriado. 

 

 

 

E quando disse que não sei se isso foi sorte ou azar, é porque isso me deu a oportunidade de ver o país sob uma perspectiva diferente. Consegui passear bem enquanto o tal do dia 9 não chegava, apesar de não conseguir fazer alguns passeios cliches por estarem fechados, como por exemplo a visita ao Kremlin. Mas a experiência de estar lá durante essa data tão especial para eles, me vez ver as coisas com um olhar bem diferente do que de apenas um turista. Ainda mais depois de 3 semanas na Ucrânia.

 

O dia chegou e a previsão era de neve. Na inocência, achei que aquilo poderia prejudicar o desfile. Que nada! Minha host do airbnb me mostrou um notificado que TODOS haviam recebido avisando para não se preocuparem com o clima, por os aviões militares já tinham sido acionados para dispersarem as nuvens. E não é que deu certo? Mesmo depois da nevasca do dia anterior. Nunca tinha visto nada parecido com aquilo.

 

Me arrisquei a ir para a região do desfile para tentar espiar alguma coisa, mas logo descobri que nem mesmo os Russos são permitidos de entrar para assistir, apenas militares ou antigos soldados. E de qualquer forma, aquela multidão de gente e de policia me deixou um tanto quanto nervosa. Haviam também muitas pessoas desfilando nas ruas com cartazes de pessoas que julgo serem ex-soldados ou mortos de guerra. Aquela situação toda era muito nova pra mim. Me refugiei numa Pizza Hut, confesso. Era o que eu tinha de mais próximo do ocidente e do capitalismo por ali. 

 

Depois de ter passado uma semana em Moscou, sai com a seguinte impressão:

É uma linda cidade com muita opção cultural e até que certa diversidade. Se comunicar em inglês é praticamente impossível. Nunca vi tanto McDonald e Starbucks por metro quadrado. 

 

No sétimo dia, parti de trem para São Petersburgo. Estava ainda um pouco tensa com tudo, pois tinha medo desse "circo" todo continuar por lá. Essa tensão só piorou quando meu vagão do trem foi lotado por soldados. Inclusive no banco do meu lado. Mas o sono falou mais alto e eu capotei em alguns minutos. 

 

Foi pisar nas ruas de São Petersburgo e me apaixonar. 

 

A cidade é muito mais organizada e limpa, com ruas mais amplas e o rio cortando a cidade toda. O clima, porém, é muito mais frio. Enquanto em moscou eu passeava de shorts e camiseta, lá precisei tirar o casaco de neve da mala. O vento era cortante.

 

Me hospedei super perto de tudo, num apartamento gigantesco. Me sentia nos tempos do czares. 

 

 

São Petersburgo me deixou muito mais a vontade. Perdi aquele medinho de perseguição; tirei todas as minhas dúvidas no google sem nenhum aviso suspeito. Uma curiosidade: em Moscou, você não consegue se conectar em NENHUM wifi público se não tiver um número Russo.

 

Parecia que por lá o 9 de Maio nunca havia existido. Foi em uma tarde de chá e conversas no meu palácio do Airbnb, que aprendi com uma local tudo que contei lá no começo desse texto sobre o cerco militar e a diferença das duas cidades.

 

Me identifiquei com a cidade de diversas formas. Me senti acolhida, bem-vinda. Me apaixonei por ruas e lugares. Fazia questão de passar todos os dias na catedral do sangue derramado. Derramei foram muitas lágrimas ao ver aquela maravilha.

 

Por lá é muito mais fácil encontrar quem fale Inglês. Em todo restaurante pelo menos um garçon fala. Encontrei até quem falasse português.

 

 

E no meio de toda essa paixão e identificação, rolou uma conexão ainda maior. Desde pequena sou fascinada pela história da minha família de origem Ucraniana. Nunca soubemos muito sua história antes de chegarem no Brasil. Comecei um projeto pessoal em 2016 para pesquisar a historia deles e seus passos. Ambos foram retirados da Ucrânia e foram trabalhar forçadamente na Alemanha durante a guerra. Até 1946, quando conseguiram migrar para o Brasil. Resumindo, enquanto estava em São Petersburgo, encontrei um registro de meu avô. Ele havia morado lá por um período. Trabalhando no porto durante o dia, e no teatro como ator durante a noite. 

 

Essas cosias são incríveis, né? Sempre que me conecto com algum lugar tento logo achar alguma ligação. E na maioria das vezes tem.

 

Fui embora de São Petersburgo com o coração na mão e gostinho de quero mais. Andaria por aquelas ruas mais mil vezes e choraria todas as vezes que me deparasse com a incrível catedral.

 

 

 

 

 

 

Como se locomover?

METRO! O Uber é permitido, mas o transito é caótico. Aproveite para apreciar as belíssimas estações de metro. Alguns dizem que são as mais belas do mundo. Não deixe de visitar as estações da linha circular marrom!

 

Onde se hospedar?

https://www.airbnb.com/rooms/17088453

Ideal pra quem viaja sozinha.

 

O que fazer?

- Praça vermelha

-Kremlin (lá dentro tem muitas coisas para visitar)

-Teatro Bolshoi

-Catedral de São Basílio

-VDNKh

-GUM

-Catedral Kazan

-Kremlin Izmaylovo

 

 

Como se locomover?

A pé! Ou metro.

 

Onde se hospedar?

https://www.airbnb.com/rooms/13429772

Recomendo mais que tudo no mundo!

 

O que fazer?

- Hermitage

- Palacio Peterhof

- Catedral do Sangue derramado

- Catedral Saint Isaac

- Praça do palácio

- Passear pela Nevsky Prospect

- Catedral Kazan

- Museu Fabergee

Por último gostaria de responder mais pontualmente a algumas perguntas que recebi.

 

- É seguro viajar de trem pela Rússia?

Acredito que mais seguro que carro. Além da qualidade do trem ser incrível, eles são super rápido. As passagens não são tão baratas assim, mas não é nenhum absurdo.

 

- Como é para um viajante gay viajar pela Rússia?

Apesar do governo tomar medidas absurdas e preconceituosas, senti que grande parte do povo vai contra isso. Principalmente em São Petersburgo. Inclusive existe um movimento chamado #kiss4lgbtrights no qual os casais gays postam fotos se beijando e marcam a localização do Kremlin. Não sei se a ideia veio dos Russos, mas eles também aderiram. 

 

- Viajar sozinha é perigoso?

Em momento algum me senti em perigo. Um pouco de desconforto sim, principalmente com toda a situação que narrei sobre Moscou. Mas imagino que não fosse ser diferente se estivesse acompanhada. As pessoas foram todas muito solicitas e simpáticas, além de respeitosas. 

 

 

Quando comecei esse post, tinha em mente fazer algo mais informativo. Mas a emoção tomou conta de mim e acabei fazendo um relato pessoal gigantesco. Espero que vocês gostem. Não se acanhem se precisarem de informações mais precisas sobre o turismo por lá.

 

 

 

 

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