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Uma volta no tempo em Sarajevo - A Guerra da Bósnia

February 14, 2019

 

 

Quando eu decidi ir para a Bósnia e Herzegovina eu não sabia muito bem o que ia encontrar nem o que esperar. Queria começar a conhecer os países dos Balcãs, e a Bósnia naquele momento era o que mais valia a pena, tanto pela logística, quanto pelos preços.

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Saímos da Turquia e fomos em direção a Sarajevo. Chegando lá a primeira grande surpresa: Como era fácil se comunicar! Lá todo mundo fala Inglês, dos mais velhos aos mais novos. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

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Optamos por conhecer a Bósnia de carro, já que a ideia era fazer vários bate-voltas e conhecer lugares pelo caminho. Retiramos o carro lá no aeroporto de Sarajevo mesmo. E ao dirigirmos para o nosso hotel, já tivemos uma segunda surpresa: muitas bandeiras da Sérvia além das da Bósnia e algumas placas escritas em alfabeto cirílico. Eu já sabia que a Bósnia era um país dividido, mas não imaginava que ia ficar tão claro a diferença dessa divisão.

 

Mas vamos começar do começo. Não tem como falar da Bósnia e Herzegovina sem falarmos da História do país. Para entendermos o porque do país ser como é hoje, precisamos voltar para o século XIX. A Bósnia fazia parte do Império Turco-Otomano, que estava perdendo poder na região dando espaço para o surgimento de nações independentes na região dos Balcãs.

 

Algumas potências vizinhas notaram esse comportamento e se posicionavam de forma diferente. De um lado, A Rússia apoiava a independência desses países para a formação de uma única nação dos povos Eslavos, contando com o apoio da Servia. Do outro lado, o Império Austro-Húngaro com o apoio da Alemanha, estava de olho na região para a construção de uma estrada de ferro que ligasse Berlim e Bagdá.

 

Em 1914, o arquiduque Franz Ferdinand, herdeiro do trono Austríaco, fez uma visita a Sarajevo com o intuito de estreitar as relações entre os países. Porém, um grupo nacionalista planejou um ataque ao arquiduque que resultou em seu assassinato. Esse foi o estopim que deu inicio a primeira guerra mundial.

 

Logo após o fim da primeira guerra mundial, originou-se a Iugoslávia, um país formado pela Sérvia, Montenegro, Croácia, Eslovenia, Bósnia Herzegovina, Macedonia e Kosovo. Como a Servia controlava a força armada e a economia, ela era a região mais poderosa desse novo país.

 

 

Nesse período houve um certo movimento para misturar os povos e evitar movimentos separatistas no futuro. Vale dizer também que durante as muitas décadas de conflitos entre austro-húngaros, turcos e eslavos, os movimentos migratórios foram muitos.

 

A partir de conversas com locais, senti um grande carinho por Tito, o presidente da Iugoslávia, acompanhado por uma nostalgia. Me disseram que no período em que Tito era vivo, os diferentes países que compunham a Iugoslávia viviam em harmonia e como iguais. Além disso, a liberdade religiosa era de certa forma permitida, o que era muito importante para a Bósnia Herzegovina, já que muitos eram Muçulmanos, outros católicos e outros ortodoxos. Já a liberdade de expressão era quase inexistente e ninguém podia se opor ao governo. Apesar de opiniões diversas, eles me contaram com muito carinho como era esse período e como nunca vai haver um outro país como foi a Iugoslavia.

 

Depois da morte de Tito, a situação na Iugoslávia começou a ficar um pouco conturbada. Aquela ideia de igualdade entre os países que faziam parte da República Socialista Federativa já não era tão respeitada. Toda a região perdeu muita importância estratégica depois da ascensão de Mikhail Gorbachev na URSS, o que gerou uma crise na região. A Sérvia, a região de maior importância por controlar a força armada e a economia, começou a querer que a região se tornasse uma grande Sérvia, um movimento nacionalista de caráter expansionista. Afinal, para ela não era interessante que houvesse a desintegração, pois havia grupos Sérvios espalhados por toda a região. Sem o apoio das repúblicas mais ricas, o país se afundaria mais ainda na crise.

 

Aos poucos, a partir de movimentos nacionalistas, os países foram lutando e conquistando sua independência e em meados da década de 90 haviam seis repúblicas e e duas províncias autônomas na região onde antes era a Iugoslávia: Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Macedônia, Montenegro, Sérvia, Kosovo e Vojvodina. Porém a Bósnia e Herzegovina é historicamente um país multiétnico, e após a dissolução da Iugoslávia a população do país era dividida em: 43,7% Bósnios (Muçulmanos) 31,3% Sérvios (Ortodoxos); 17,3% Croatas (Católicos) e 5,5% se consideravam Iugoslavos. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

 

Os Sérvios, que eram em grande quantidade no território da Bósnia, não gostaram que o país havia se tornado independente, e começaram a encontrar vários pretextos para protestos, até começarem a realmente atacar a região, reivindicando toda a região onde eles eram maioria, o leste e oeste da Bósnia.

 

Como a Sérvia havia herdado todo o arsenal de armas da antiga Iugoslávia, a Bósnia se viu em desvantagem e não tinha como contra atacar. Entre 1992 e 1996 ocorreu a Guerra da Bósnia, que se deu por diversos fatores supracitados.

 

A Bósnia já se via em desvantagem perante a Sérvia devido ao embargo de armas aplicado pelas Nações Unidas sobre todo o território da antiga Iugoslávia. Além disso, a geografia do país não era favorável nesse momento de guerra, principalmente na capital. Sarajevo é uma cidade cercada por montanhas e colinas, o que fez com que o Estado Sérvio cercasse a cidade com 18000 homens. O cerco de Sarajevo foi um dos mais longos da história moderna, durando 4 anos.

 

 

 

Baseados nas colinas que circundam as cidade de Sarajevo, os Sérvios possuíam artilharia, tanques, canhões, metralhadoras, mísseis e rifles sniper. O objetivo era acabar com todo e qualquer ser humano que estivesse dentro do cerco, já que a maioria das pessoas que habitavam o cerco eram Muçulmanos.

 

Todas as estradas que levavam a Sarajevo foram bloqueadas e o acesso a água, energia e comida eram inexistentes. Foram em média 329 bombardeios POR DIA durante os 4 anos. 

Para tentar ajudar a população sitiada, o aeroporto de Sarajevo foi aberto a ONU, que podia trazer recursos como comida, porém chegavam com muita dificuldade. Porém, para levar os mantimentos até a população, era preciso percorrer 5km até a cidade, e como as emboscadas dos inimigos, esses 5km se tornou o trecho mais perigoso do mundo. Estima-se que 200 mil pessoas morreram nessa guerra e 1.326.000 foram refugiados e exilados.

 

A única forma “segura” de trazer mantimentos e munições para Sarajevo, era através de um túnel que foi construído as escondidas por baixo do aeroporto. Conhecido como Túnel da Esperança, eram 800 metros que ligavam Sarajevo ao resto do mundo. Muitos faziam o trajeto para buscar comida, água, armas e remédios. Já outros, atravessavam o túnel para fugir. Depois da guerra, por segurança, o túnel foi soterrado. Afinal ele passava por baixo do aeroporto. Mas ainda é possível atravessar os primeiros metros que hoje ficam no Museu do Túnel da Esperança.

 

Em 1996 foi assinado o acordo de Dayton, que colocava fim a guerra da Bósnia. Nesse acordo, o país seria um território dividido entre Federação Bósnio-Croata e República Srpska.

 

Lembram lá no começo do post que eu falei que logo ao sairmos do aeroporto já notei diferença no alfabeto? As vezes era o ocidental, as vezes era o cirílico... a explicação é justamente a divisão do território, que é muito nítida. Inclusive, a Bósnia hoje é uma republica presidencialista tripartida. Ou seja, existem 3 presidentes. Cada um representa uma parte do povo (Bósnios, Sérvios e Croatas). O cargo é exercido em rotatividade, cada um se mantem 8 meses como presidente.

 

Hoje, a Bósnia é um país seguro pra se visitar. Apenas 2% do pais ainda está em processo de desativação de minas e bombas, porém são áreas remotas. Aos poucos o pais volta a se desenvolver e ser o que um dia já foi, mas sem nunca apagar o que ocorreu. Há vários monumentos espalhados pela cidade para não deixar a guerra cair em esquecimento. Em alguns prédios ainda é possível ver os buracos das balas e explosões.

 

 

 

Apesar da triste história da Bósnia, lá não tem só destruição e marcas da guerra. Pelo contrário, o país é lindo e tem paisagens incríveis. Em Sarajevo esse passado está muito mais presente, talvez por ter sido mais intenso. Mas também é possível passear, relaxar e se distrair. Talvez o centro velho seja o melhor lugar pra isso. Com ruas de pedra e várias barracas de comerciantes, passear entre elas é muito gostoso. O trabalho artesanal em cobre é o mais tradicional da região. Algumas lojas foram passadas de geração em geração e estão nas famílias por várias décadas. Além disso, o povo da Bósnia é muito simpatico e adora falar sobre seu país e cultura. Vale a pena gastar uma tarde só batendo perna e puxando papo com os locais :)

 

O que fazer em Sarajevo?

 

- Fonte Sebij

Ela fica na principal praça da cidade, conhecida por “praça dos pombos”. No coração de Sarajevo, é rodeada de lojinhas, restaurantes e cafés. Foi construída em 1973 e antigamente pessoas ficavam dentro dela servindo água pelas janelas para quem passasse. ⠀⠀

 

 

 

- Centro Antigo

É uma delicia caminhar sem rumo pelas ruazinhas do centro de Sarajevo. Leve dinheiro, pois você provavelmente vai querer sair de lá com algum artesanato local.

 

 

 

 

- Complexo olímpico da olimpíada de inverno de 1984

Restam apenas ruínas, mas é muito interessante ver a ação do tempo num local como esse. Além disso, o caminho até lá é muito bonito. A maioria das instalações não tiveram mais uso depois da guerra, inclusive varias delas serviram como pontos de artilharia para os Bósnios-Sérvios durante o cerco de Sarajevo.

 

 

 

- Museu do Túnel da Esperança

É possível visitar os primeiros metros do antigo túnel que ligava Sarajevo ao resto do mundo. O museu conta um pouco da história da guerra e da construção do túnel. Essa passeio vale muito a pena para entendermos areal situação da Guerra. A única esperança que eles tinham, era um túnel minúsculo, escuro e molhado no qual pouquíssimas pessoas tinham acesso. Mas foi graças a ele que muitos acabam sobrevivendo ao cerco.

 

 

 

- Galeria 11/07/95

O primeiro museu e memorial na Bósnia e Herzegovina dedicado ao massacre de Srebrenica. Quando visitei havia uma exposição de fotos das investigações feitas sobre o massacre. Além de fotos muito bonitas (porém tristes), aprendemos muitas coisas. Além disso, diversos documentários são exibidos no local.

 

 

 

- Comer Cevapi

Apesar de não ser nada demais, o Cevapi é uma refeição típica. É sempre legal conhecer a culinária local. Além disso, é tão barato que com certeza vale a pena experimentar. :)

 

 

 

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